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UM TRAÇO SOBRE A ILUSÃO

Cada um de nós temos experiências únicas, assim como são únicas as reações também. Porém, quando modelamos nossas reações emocionais através dos critérios dos outros, é como se se, nessas ocasiões, estivéssemos estabelecendo metas ilusórias na vida. Tendo como base esses critérios alheios, criamos fantasias em nossa mente. Constantemente. Ignoramos fatos ou sentimentos que nos são inadmissíveis em nossa vida, embora sejam autêncticos e nossos , utilizando- conscientemente ou não- de mecanismos de defesa dos mais diversos. Ter somente o outrro como referência de nossas emoções e sentimentos traz-nos, quase sempre, frustrações aparentemente inexplicáveis.
Falando melhor, no dizer de Hammed, "somos nós mesmos que nos iludimos, por querer que as criaturas dêem o que não podem e que ajam como imaginamos que devam agir". Gostamos de alguém imensamente às vezes e alimentamos a idéia de que esse alguém possa corresponder-nos exatamente como esperamos, e assim vamos criando sonhos românticos entre fantasias e irrealidades.
Somos os únicos responsáveis pela qualidade de vida que experimentamos, inclusive a vida emocional, por isso não creio que devamos culpar alguém por nosso desacertos no campo dos sentimentos. Embora o outro possa colaborar, e muito, com nossa estabilidade ou instabilidade emocionais, não posso delegar toda a responsabilidade de meus infortúnios interiores se depositei expectativas emocionais em outrem, esperando que este me supra as carências e necessidades emocionais, sem nunca antes me perguntar se é justa tal espera.
Mas, as ilusões que experimentamos na vida, como eu disse, são de diversas naturezas. Uns pensam que a posse material nos traz felicidade; outros pensam que o amor é garantido com fama e dinheiro; outros pensam que a força bruta lhe darão segurança; enquanto outros pensam que a prática sexual constante lhes darão uma gratificação integral na vida. As válvulas de escape são como momentos vetores temporários de nossas frustrações e inquietações íntimas. Porém, longe de resolver o problema, nos afastam ou nos fazem esquecer de nós mesmos, impedindo-nos, cada vez mais, de buscar em nós, os verdadeiros algozes de nós mesmos, a força para reverter, cada um a seu tempo, os quadros de toda sorte de angústias interiores.
Nossa ilusões, alimentadas pelas mesmas válvulas de escape, são como crenças distorcidas de quem tem, poe exemplo, o sexo ou o dinheiro como divindade suprema- inconscientemente às vezes. Tais ilusões, por nos proporcionar um estado de calmaria (temporária) em nossas emoções, desenvolvem o medo de abandoná-las. Renunciá-las não é mesmo fácil, se não percebermos que a alegria e o sofrimento não estão nos fatos e nas coisas da vida, mas na forma como a mente os percebe.
Creio que, para que nossos atos e comportamentos sejam autêncticos, é preciso que nossas emoções devam ser percebidas como são reconhecidas por nossa consciência (que jamais nos trai); assim nossas expressões serão mais apropriadas às situações, num esforço de constante de melhoria.
Não sentir é como viver em constante ilusão. Reprimir nossas emoções inibe o ritmo da pulsação interna, limita a vitalidade e reduz-nos a percepção. Ao reprimir uma emoção, é como se estivéssemos reprimindo algumas outras. Isso nos trará medo, e o resultado do medo é a perda do poder de pensar e agir com espontaneidade. Porém, o medo (até mesmo porque o espaço que tenho aqui é pouco), é assunto para outro dia. Talvez, o próximo texto...
Escrito por Ivan às 20:19:30
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