Vertentes de Mim
  REPUBLICAÇÃO 7

Não me lembro o dia, mas sei que foi em abril de 2005 que comecei este blog. Por que está perto, e porque no ano passado deu certo, vou usar esse período que falta para republicar alguns textos. Os que mais gosto, ou os que receberam mais elogios. Em abril, um post especial de aniversário. Até lá, vamos ver o que andei pensando por aí e compartilhando com vocês.

O texto abaixo foi escrito em DEZEMBRO de 2005, quando o blog estava indo para o segundo mês.  Não é que tenha ele tenha recebido tantos comentários. Mas é um texto que gosto muito, por ser tão pessoal. Aqui, fiz umas alteraçõezinhas...

O CAMINHO DO CAMPO (inspirado em alguns fragmentos de lembranças...)

Das mais extensas planícies da imaginação que concebe a alma, estende-se o Caminho do Campo. Campo das emoções, das sensações, das reflexões, das memórias. Nele, repouso por algumas vezes, como que num encontro com tudo o que o meu Caminho do Campo me oferece. Sento num banco, abaixo de um grande carvalho, testemunha das lembranças desde as minhas primeiras escolhas. O espaço aberto neste caminho é sempre limitado pelos olhos e pelas mãos, e, cada nova visita, eu posso ver mais longe, às vezes. Quando não, sei que preciso de novas estratégias...

Da lentidão, mas constância com que a árvore cresce, o carvalho sempre me lembra que crescer demora. Crescer é como abrir-se à amplidão dos céus, ao mesmo tempo que deitar raízes na terra ("mas como chegar até às nuvens com os pés no chão?", perguntava Renato Russo em uma de suas músicas, embora seja essa uma busca individual), mesmo que a terra seja obscura. Amadurecer autenticamente é ser ambas as coisas: estar disponível ao apelo do mais alto céu, mas abrigado pela proteção da terra- esta oculta e produz. Tudo isto o carvalho me lembra sempre...

O Caminho do Campo sempre recolhe aquilo que tem de meu em torno dele e dá a cada um dos que o percorrem aquilo o que é seu. As mesmas colinas, as mesmas encostas, sempre e em todos os lados, em torno do caminho. O simples vai guardando o enigma do que permanece e do que é grandioso. Visita a cada um de nós inesperadamente, mas necessita de longo tempo para crescer... e amadurecer. O dom que dispensa está escondido na inaparência do que é sempre o mesmo. Deus, dizia um sábio, se manifesta naquilo o que é mais simples, e, descoberta sua presença, o simples se torna intensamente intricado, embora detentor de uma harmonia de origem incomparável..

Do Caminho do Campo ergue-se, no ar variável com as estações, uma serenidade que sabe ser uma ciência sutil. Os que têm recebem-na do Caminho do Campo; e em sua senda cruzam-se a alegria da juventude, da sabedoria e da maturidade; nela se surpreendem mutuamente tudo, porém se insere placidamente numa única harmonia, cujo eco o caminho do campo em seu silêncio leva de um para outro lado. A serenidade precisa para quem se pretende saber, é uma porta abrindo para o eterno que um hábil ferreiro forjou um dia com os enigmas da existência.

Das baixas planícies, o Caminho do Campo retorna da imaginação. Volta da reflexão à realidade. O simples parece-me tornar-se ainda mais simples. O que é o mesmo parece-me desenraizar-se e libertar-se. O apelo do Caminho do campo, parece-me mais claro. A alma que fala? Ou fala o mundo? Ou fala Deus? Tudo parece falar da renúncia que conduz ao mesmo. A renúncia não tira! O homem é por um lado, mas por outro, ele se trona, pelo seu próprio esforço de querer-se bem continuamente. A renúncia dá a força inesgotável do simples. O apelo faz-me novo e a habitar uma distante origem, onde a terra Natal me é devolvida...

 

Amigos, conheçam a Koly e seu blog. Eu recomendo: http://kolyasas.zip.net

No meu outro blog, inclusive, ela também está: http://umcasal.blogspot.com

 

 



Escrito por Ivan às 10:14:04
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Não me lembro o dia, mas sei que foi em abril de 2005 que comecei este blog. Por que está perto, e porque no ano passado deu certo, vou usar esse período que falta para republicar alguns textos. Os que mais gosto, ou os que receberam mais elogios. Em abril, um post especial de aniversário. Até lá, vamos ver o que andei pensando por aí e compartilhando com vocês.

O texto abaixo foi escrito em maio de 2005, quando o blog estava indo para o segundo mês. Na ocasião, eu não imaginei que fosse dar tanta repercussão.

Algumas pessoas estão me enviando e-mails e pedindo informações a meu respeito. Homens e mulheres gostariam de saber mais sobre meu perfil. Isso é muito interesante e consolador para mim, pois, pelas manifestações, acredito ser uma personalidade (ainda que virtual) interessante para essas pessoas. Afinal, não pode ser à toa que eu tenha lhes causado tantas boas (acredito que sejam) impressões. Mas também já escreveram que eu sou pretensioso e hipócrita. Como se dissessem que eu não pratico nada ou o mínimo do que prego por aqui. Portanto, devo responder às duas correntes de pessoas. Às primeiras pelo carinho dispensado e o interesse neste que muito tem a contar, mas pouco a destacar. Às outras porque, longe de me sentir ofendido, creio estarem equivocadas em alguns pontos. Além disso, devo pontuar, neste espaço que monitoro, as minhas sensações e impressões de tudo que me chega, por causa da existência dele (do blog)! Mas a resposta estará mesclada, póis, para mim, será mais fácil responder assim.

Quando resolvi manter um blog (com todas as dificuldades de alguém que não tem computador e paga horas em lan house para tal fim, sem contar outras coisas que preciso fazer na internet), só o fiz por arrancar de mim o preconceito que me aprisionava e não me deixava expandir à procura de espaços pessoais que fossem interessantes, sensíveis, cômicos, despretensiosos, conteúdo em todas as suas características. Conteúdos que me interessassem. Não é por eu ser dono da verdade, mas quem é que frequenta lugares, lê livros  ou revistas, assiste programas ou filmes que não lhe interessam, voluntariamente? Portanto, quando comento num blog que julgo interessante, estou me reservando o direito de que todo e qualquer outro ser humano se vale: o de escolher fazer, viver, ler, agir, etc. de acordo com a minha ótica de vida, e no que, com o que e como eu quero.

Quando eu comento num blog pela primeira vez, não acho que seja um privilégio especial para o autor do blog ter registrado lá algumas palavras minhas. Julgo que seja um privilégio em igualdade com os outros, porque a alegria de quem mantém blog, entre outras, é ter suas idéias compartilhadas, mas não vejo motivos para destaque à minha pessoa. Isso poderia acontecer após algum tempo, quando o laço entre um ou outro blogueiro e eu for mais estreito, pelas afinidades naturais a que todos somos submetidos em relação à outras pessoas. Mas eu jamais cobraria.

Quando tenho vários comentários no meu blog fico contente sim. Não escrevo para o nada. Tenho a expectativa de que pessoas leiam e claro que torço para que gostem, que não achem equívocos nas palavras. Nunca torço para que sintam emoções negativas. Mas não posso evitar isso se, certos textos mexem com o íntimo de algumas pessoas. Quero que meu blog seja, na maioria das vezes, um convite à reflexão. Assim como reflito ao ler blogs de outros companheiros e os admiro por isso. Para ter maior rotatividade de pessoas por aqui, apelo para a divulgação. Entro em blogs que ainda não conheço, me manifesto... Algumas vezes deu certo.

Quando penso que aqui pode ser um lugar de reflexão, não estou sendo pretensioso ou prepotente. Eu não sou um homem talentoso com as palavras, mas também sei que não sou exdrúxulo na atividade de escrever. Além disso, nos meus vinte e nove anos de vida, tive muitas oportunidades de ter os ouvidos e olhos mais abertos. Tenho alguns conceitos e opiniões embasados na Doutrina Espírita, racional por excelência, e que escolhi para ser meu guia. Guia este que tem por base o Evangelho de Jesus. Não escrevo para espíritas somente, mas para qualquer um, pois emoções, sentimentos, sensações, não são priveilégios somente de espíritas. Entretanto, como não conheço todos os assuntos da Doutrina Espírita, muitas das coisas que escrevo são embasadas em outras experiências, pessoais ou não, frutos ou não de oservações.

Outra coisa precisa ficar clara. Eu nunca disse aqui que ajo exatamente com o que preconizo. Eu reflito, raciocino o que é um passo. Às vezes consigo êxito na hora de agir. Quando não, invariavelmente (como qualquer um) sofro mais tarde. Mas os vícios e as paixões ainda pipocam em mim como na maioria das pessoas. Também nunca preguei nada aqui. Não tenho autoridade moral para isso. Se levarmos em conta que a pregação pode ser também no campo intelectual, tudo bem. Mas não pretendo ensinar ou apontar o único e melhor caminho para a salvação. Eu aponto alguns, baseados nas minhas próprias experiências. Sou sempre o primeiro leitor a quem escrevo. 

ltima coisa. Às pessoas que querem mesmo saber mais sobre mim, me enviem perguntas por e-mails ou aqui mesmo no blog. Para aqueles que escreverem por e-mails, receberão suas respostas por e-mails. Pra aqueles que querem ver as respostas publicadas, perguntem por aqui mesmo e aqui mesmo responderei. Os meu endereços são: ijdlf@gmail.com ou  ivanildojosedaluzfilho@hotmail.com (que também é o msn).

Desculpem as palavras de hoje. Não é desabafo, apenas uma homenagem, à minha maneira, àqueles que, de forma ou de outra, perdem parte de seu tempo e despejam emoções aqui, provocadas pelo que escrevo ou não. Mas tenho certeza que é deixando, cada um, um pouquinho de si, que este espaço deverá crescer, me acrescentando, enquanto pessoa e ser pensante! Abraço a todos.



Escrito por Ivan às 14:28:47
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  REPUBLICAÇÃO 5

 Não me lembro o dia, mas sei que foi em abril de 2005 que comecei este blog. Por que está perto, e porque no ano passado deu certo, vou usar esse período que falta para republicar alguns textos. Os que mais gosto, ou os que receberam mais elogios. Em abril, um post especial de aniversário. Até lá, vamos ver o que andei pensando por aí e compartilhando com vocês.

O texto abaixo também foi escrito em outubro de 2005. Na ocasião, eu não imaginei que fosse dar tanta repercussão. Ou seja, ele está aqui, na coletânea de republicações, não porque eu goste tanto assim, mas porque o sucesso foi grande.

Dois amigos me desafiaram a ler com mais carinho e atenção aquele poema da pedra, escrito por Drummond. Embora eu admire muito dos seus poemas, este, em especial, pouco me dizia. Quando souberam que eu não gostava tanto assim do poema, me pediram que eu refletisse melhor, e, bom... tenho de me curvar aos dois e admitir que até então eu estava cego. O resultado da minha reflexão, publico aqui, sem medo de ser feliz; pois com isso, Márcio e Ana Maria, pretendo me redimir e pagar-lhes o desafio assim, em público.

Na sombra da idade, o homem mais velho recorre à bengala para lhe der apoio. Se tem fome, sabe o que fazer; vai até a padaria e compra um pão, trazendo-o numa mão, a bengala na outra. Se tem sede, busca água, que traz numa mão, e a bengala na outra. Mas, se tem fome e sede, não pode buscar pão e água ao mesmo tempo... A necessidade, para ser sanada, precisa de estratégia...

O obstáculo dói. E surge em nossas vidas quando não há mais segurança, ou seja, quando não conseguimos mais produzir resultados utilizando os recursos de que já dispomos. O tempo da mudança chega. A mudança se faz necessária. E, é atravessando os obstáculos que poderemos realizá-las.

Não utilizar as pedras em nosso próprio proveito, é desprezar o propósito do obstáculo. Quando tropeçamos na pedra, somos levados à frente, ou seja, nenhum obstáculo nos impede de voltar. Mas, nos desafia a seguir. A decisão é pessoal, por isso deve-se ter cuidado, pois ver a pedra no outro é não dar conta de si. As dificuldades que se nos apresentam devem ser encarados como meios para que adotemos outra postura de vida. A crise se mistura com a necessidade de mudança, mas, aceitando o obstáculo e enfrentando-o como condição essencial da existência, forma um novo estado, diferente de tudo o que estávamos acostumados a ver e sentir.

A acomodação provoca falência. A transitoriedade da vida material só compensa quando nos esforçamos pela construção das virtudes. É claro que vez ou outra, fracassaremos, o que não deixa de ter um lado positivo. Afinal, ter uma pedra no sapato incomoda, mas incomodaria muito mais ter um sapato de pedra. O importante é a forma de encarar o problema, a pedra no caminho. Esquecê-la para prosseguir sem traumas; e lembrar-se dela, para não cometer os mesmos erros passados- aí está o ponto positivo do fracasso.

Em outras palavras, é um como um exercício de oscilação entre o esquecimento e a lembrança, para que, cada vez melhor, pensemos e ajamos diante do obstáculo. Muitas vezes, o problema nem é ver a pedra, mas deixar de vê-la, porque a sucessão de pequenas falhas cava uma cova. Por isso, a avaliação constante é fundamental para quem sonha e quer alcançar objetivos.

Avaliações constantes nos ensinam a prever acontecimentos que possam afetar os esforços na busca pelos nossos objetivos. Assim, tomamos decisões antecipadamente, sem improvisos, sem transtornos ou desperdícios, definindo claramente os meios e recursos para atingir os objetivos. A propórito, o homem velho trouxe numa das mãos uma bengala, e, na outra, água e pão dentro de uma cesta.

A necessidade do obstáculo parece ser constante porque sonhamos.  Mesmo que perseveremos, as pedras aparecerão no meio do caminho. Não importa qual pedra seja. Colocada no lugar certo, sempre edificará alguma coisa. para o bom combatente, parafraseando Paulo de Tarso, não existe dor.

 

Conheçam a Koly- http://kolyasas.zip.net

Conheçam eu e a Lelinha- http://umcasal.blogspot.com



Escrito por Ivan às 14:07:36
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